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Compromisso Social Edição 11
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  Fácil acesso
O acesso a deficientes físicos deve ser regra em estabelecimentos

Aumenta a participação de deficientes físicos no mercado consumidor brasileiro. Prepare-se adequadamente para atendê-los

Ao encontrar uma pessoa com deficiência física em meio ao caótico trânsito de carros e pedestres das grandes cidades, não imaginamos as dificuldades vividas por ela para circular, fazer compras, se divertir e trabalhar. Guias de ruas altos, falta de sinais de tráfego sonoros, vagas de estacionamento apertadas e outros obstáculos tornam o dia-a-dia desses brasileiros bastante complicado.

Entretanto, algumas modificações podem facilitar o acesso dessas pessoas a estabelecimentos comerciais, escritórios e áreas de lazer, promovendo a inclusão definitiva dos deficientes na nossa sociedade.

Por exemplo, para uma pessoa em cadeira de rodas poder chegar ao banheiro, ela precisa de mais de 0,80 cm de largura de um corredor para conseguir passar; é necessário que a maçaneta da porta esteja a até 1 metro e 15 cm do chão; que o vaso sanitário esteja a 0,46 de altura do solo e, ao lado, tem de haver uma barra de transferência a 0,75 cm de altura. Fora, claro, a área de circulação horizontal (ninguém pode entrar de frente e sair de ré de um ambiente), a altura do lavatório, da saboneteira, da torneira, do chuveiro, da banheira.

Já nas lojas, além de vagas mais largas destinadas a deficientes físicos, são necessárias áreas livres de circulação, com no mínimo 80 centímetros de largura, fora prateleiras mais baixas para que os deficientes possam circular com liberdade e, sobretudo, fazer suas escolhas tranquilamente. Já para o atendimento a cegos, o piso táctil, aquele com bolinhas, próximo a prateleiras e balcão de atendimento, é fundamental para o acesso dessas pessoas à loja. Enquanto que para os surdos a presença de um atendente que entenda a linguagem dos sinais é um diferencial. “O mais importante é que o estabelecimento nos garanta condições de agir com independência e segurança”, revela Neuraci Moreno, membro do Conselho Municipal de Acessibilidade de São Paulo.

ASSEGURADOS POR LEI

Tamanha a participação efetiva de deficientes físicos na cidade de São Paulo e a atuação do Conselho Municipal de Acessibilidade que, para ter o alvará de funcionamento em São Paulo, o estabelecimento deve possuir o que é chamado de acessibilidade, ou seja, condições para que pessoas portadoras de deficiências possam circular. As exigências variam de acordo com o tamanho e ramo de atividade da empresa. “A idéia é promover a inclusão da pessoa com deficiência na sociedade por meio da promoção do Desenho Universal, conceito que garante plena acessibilidade a todos os componentes de qualquer ambiente, respeitando todas as pessoas. Toda as leis foram feitas de acordo com NBR 9050/2004, a última versão da norma, e organizada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT”, explica Neuraci.

Ao fazer a renovação da licença de funcionamento do negócio, se o empresário não tiver feito as adaptações exigidas, seu pedido será negado e só liberado uma vez feitas as reformas. “Dessa maneira, o direito de ir e vir dos deficientes físicos e de pessoas com dificuldades de locomoção ficará garantido. Desde 2005, vários imóveis já conseguiram a anistia, a liberação da renovação de funcionamento, graças à execução de obras que permitem à acesssibilidade”, diz a conselheira.

NAS AUTOPEÇAS


Embora não existam normas específicas para lojas de autopeças, é importante que o empresário conheça como garantir a acessibilidade em seu estabelecimento, ou seja, proporcionar à maior quantidade possível de pessoas, independentemente de idade, estatura ou limitação de mobilidade ou percepção, a utilização de maneira autônoma e segura do ambiente. Caso contrário, poderá ter seu pedido de renovação do funcionamento negado. Além disso, com o aumento de carros adaptados para motoristas com dificuldade de locomoção, o número de clientes em lojas de autopeças e acessórios só tende a aumentar.

Antes de mais nada, é importante que o deficiente tenha condições de entrar na loja e, por isso, é exigida a construção de rampas. “Seu projeto deve respeitar as normas ABNT que consideram corretas aquelas com declividade igual ou superior a 5%”, descreve Neuraci.

Já dentro da loja, o cliente deve encontrar espaço livre para se locomover. No caso de haver prateleiras, o espaço no corredor deve ser superior a 80 cm. O acesso ao balcão de atendimento ou caixas não deve ser obstruído por degraus.

As peças devem ser disponibilizadas na prateleira em uma altura de fácil visualização e alcance daqueles que estão em cadeiras de rodas. Da mesma maneira que a aproximação do balcão, caixa e produtos deve ser sinalizada por piso táctil para aqueles com deficiência visual. O estabelecimento deve ainda contar com espaço interno para a rotação da cadeira de rodas.

Para aqueles empresários que estão prestes a pedir a anistia de funcionamento de seu estabelecimento, o site da prefeitura de São Paulo disponibiliza uma cartilha e as normas da ABNT na íntegra, para que as adaptações sejam feitas com segurança. “O importante é que cada empresário saiba, no momento da renovação, quais são as exigências de acessibilidade para o porte da empresa dele”, ressalva Neuraci.

A destinação de vagas de estacionamento para deficientes vai depender do tamanho e estrutura da loja. Caso necessário, é preciso deixar 1,20m além daquele da vaga.

Uma vez feitas as adequações, o empresário pode adotar a sinalização de que aquele estabelecimento cumpre as normas de acessibilidade e está apto a receber com segurança e conforto pessoas com deficiência física e dificuldade de locomoção.

Para aqueles empresários que estão prestes a pedir a anistia de funcionamento de seu estabelecimento, o site da prefeitura de São Paulo www.prefeitura.sp.gov.br, disponibiliza uma cartilha e as normas da ABNT na íntegra para que as adaptações sejam feitas com segurança. “O fato de os órgãos municipais exigirem a adaptação dos estabelecimentos para facilitar o acesso de pessoas com dificuldades é uma vitória. Mas, é preciso que fique bem claro para os empresários e funcionários de uma loja que o mais importante é que sejamos tratados como pessoas com autonomia e independência.

Não há nada pior do que perder o direito de escolha”, conclui Neuraci, que diz já ter passado por situações bastante constrangedoras em lojas ao ser atendida por balconistas que infelizmente não dirigiam a palavra a ela, somente ao seu acompanhante.

VAGAS EM ESTACIONAMENTO
  Número total de vagas Vagas reservadas  
  Até 10 -  
  De 11 a 100 1  
  Acima de 100 1%  


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