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Economia & Gestão Edição11
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  Fator humano

As empresas se ressentem da escassez de um importante fator de produção: o capital. Para alguns estudiosos de economia, o capital é, na realidade, o único e principal fator de produção. Com ele, todos os demais poderão ser facilmente obtidos. Para outros, o fator humano constitui o mais importante dos recursos de produção. Existem vários exemplos de investimento no fator humano como meio de obtenção de maior produtividade que redundaram em absoluto e permanente sucesso no meio empresarial. O progresso técnico - que inclui a educação - é resultado direto destes investimentos.

A escassez e as necessidades humanas constituem a razão de ser da economia política. Este ramo do conhecimento encontra sua essência no conflito que se estabelece entre os recursos escassos, de um lado, e, de outro, a satisfação dos ilimitados desejos e necessidades do ser humano. Conhecer a disponibilidade e potencialidade destes recursos, torná-los aplicáveis ao processo produtivo, proporcionar a sua integração no competitivo ambiente internacional, minimizar o desperdício - que constitui um dos principais diferenciais entre as modernas economias -, promover uma adequada distribuição entre todos os participantes do processo de geração de bens e serviços de que a sociedade irá usufruir o resultado da atividade econômica, são, em síntese, a tarefa do economista. Compete à economia, portanto, a administração eficiente de recursos escassos - os chamados fatores de produção -, com vistas à satisfação dos ilimitados desejos e necessidades dos indivíduos.

Na maioria dos casos, os fatores de produção são representados pelo capital, pelos recursos naturais (ou, simplesmente, terra) e pela força de trabalho (ou, simplesmente, trabalho). Para serem adequadamente utilizados, é preciso conhecimento. É preciso tecnologia. E, para reunir estes fatores, aglutinando-os em torno de um objetivo, é preciso capacidade empresarial. Vejamos mais detalhadamente cada um destes fatores de produção.

A aquisição de matérias-primas, a realização de serviços, os aluguéis, a importação ou aquisição no mercado nacional de máquinas que serão utilizadas no processo produtivo e o suprimento de produtos e serviços de que os indivíduos necessitam são fatos econômicos que requerem, além de conhecimento específico para a sua obtenção, um pagamento. São os chamados fluxos de remuneração e de pagamentos, que são realizados por um capital, necessário à concretização de qualquer empreendimento. Se for proveniente dos próprios acionistas ou quotistas, configura-se como capital próprio. Caso tenha sido obtido por meio de empréstimos, caracterizará um capital de terceiros, que não estarão, portanto, diretamente envolvidos com a propriedade - e riscos - do negócio. Esta é a diferenciação básica entre capital de risco - que pertence àqueles que são proprietários do empreendimento - e capital de terceiros, ou capital alheio, que representa um crédito concedido aos proprietários do empreendimento. Numa visão mais abrangente, o conceito de capital compreende, ainda, todo bem destinado à produção de outro bem. Um recurso de capital constitui, portanto, a infra-estrutura produtiva (edifícios e instalações), as máquinas, ferramentas, etc. Quanto maior for a disponibilidade de capital numa nação, maior será a possibilidade de geração de novas riquezas. Isto porque a formação de capital é resultado direto da própria acumulação de riqueza que é, por sua vez, destinada à obtenção de novas riquezas. Serão os investimentos nos meios de produção que irão determinar o ritmo do crescimento econômico de uma nação, porque o aumento da produtividade do sistema econômico e a elevação do rendimento do trabalho humano são resultados do emprego eficiente de bens de capital.

Esta formação de capital demanda recursos nem sempre existentes no próprio país. Quando a poupança interna se faz insuficiente ante o volume de investimentos de que a nação necessita, os bens de capital, notadamente aqueles importados, serão adquiridos com base em recursos provenientes de poupança externa, ou seja, poupança de não-residentes no próprio país, constituindo, portanto, um empréstimo do exterior, a ser pago com base no superávit [o que sobra] nas transações correntes do país com o exterior. Estes recursos externos podem constituir um investimento do exterior sob a forma de capital de risco, ou mesmo uma ajuda governamental.

Os recursos naturais - o fator de produção denominado simplesmente terra - compreendem as riquezas naturais de que uma nação dispõe. Compreendem a base do sistema sobre o qual se assentará o capital, conforme definido no item anterior. Neste sentido, trata-se do terreno onde será construída a planta industrial. Referem-se às riquezas do mundo animal e vegetal disponíveis num determinado território, também conhecidas como recursos renováveis de natureza biológica. Os recursos minerais e solo, por sua vez, possuem como característica serem irrenováveis, ou seja, não poderão ser repostos na sua forma original. Transformados ou in natura, estes recursos irão possibilitar a obtenção de uma gama de produtos que irão satisfazer as necessidades dos indivíduos; daí a sua natureza essencialmente econômica. Nos primórdios da análise econômica prevaleceu, durante muito tempo, a idéia de que a verdadeira riqueza de uma nação seria proveniente da sua produção agrícola. O resultado da utilização indireta do fator terra, ou seja, a colheita de uma safra de toneladas de trigo obtida a partir do cultivo de alguns milhares de grãos, seria, portanto, a riqueza acumulada. Os demais produtos seriam obtidos por mera transformação de outros produtos primários, não acrescentando mais riqueza ao patrimônio desta nação. O avanço da tecnologia de processo e tecnologia de produto acabou por modificar este conceito.

Agora, falemos dos recursos humanos. De posse dos recursos naturais e dos bens de capital, é preciso, então, utilizá-los de forma a obter um produto ou serviço que irá atender às necessidades dos indivíduos. A utilização destes fatores se faz por meio da força de trabalho. A qualidade do trabalho humano, aliada à sua infinita capacidade criativa, será o grande diferencial na competição entre organizações e entre nações. Na visão de alguns economistas clássicos, o valor econômico dos bens e serviços reside na quantidade de trabalho que é despendida para a obtenção destes bens. Para estes clássicos, o trabalho humano constitui o mais importante dos fatores de produção, fonte única de todo o progresso humano. Outros economistas clássicos, no entanto, apregoavam a tese de que o valor dos bens é decorrência do emprego do capital e trabalho, numa estreita colaboração entre estes dois importantes fatores de produção.

A tecnologia compreende o estudo das técnicas. Todo e qualquer trabalho desenvolvido requer uma determinada maneira para a sua execução. A técnica é a forma correta para se executar uma tarefa. É o “saber como”, o know-how, no jargão inglês, que já não se basta. Nos dias de hoje, ao executar uma tarefa é preciso igualmente “saber por que”, o know-why. Já não causa estranheza a incorporação da tecnologia - o conhecimento humano aplicado à produção - ao ativo das organizações, sujeita à depreciação, amortização e ao obsoletismo, como qualquer outro bem dedicado à produção. Possui um preço, pode ser adquirido no mercado de fatores e implica, igualmente, em importante diferencial no plano de competitividade entre organizações e nações. Neste particular aspecto de competitividade entre nações, ressalta-se a dependência das nações que se situam em um estágio de desenvolvimento inferior, da tecnologia de que dispõem as nações desenvolvidas. Um dos fatores de desequilíbrio no balanço de transações correntes entre as nações consiste no pagamento de royalties como resultado de concessões de tecnologia sob a forma de licença de produção. Tanto a tecnologia de produto - uma inovação que leva à obtenção de um produto novo, que apresentará certas particularidades que o diferenciarão em relação ao produto anteriormente oferecido - como a tecnologia de processo - uma inovação no processo de produção, reduzindo a quantidade de operações ou o tempo de obtenção do produto, ou, ainda, racionalização no uso de matérias- primas - exercem um grande impacto na economia, dadas as implicações que se farão sentir na produção e consumo dos bens e serviços.

A capacidade empresarial compreende, numa síntese, a aglutinação de todos os demais fatores de produção. O suprimento de bens e serviços de que os indivíduos necessitam para satisfazer seus desejos e necessidades advém desta capacidade empresarial. Num contexto de livre iniciativa, é a seiva vital do sistema econômico que daí deriva. Ao conjugar capital, terra, trabalho e tecnologia, o empreendedor estará reunindo os elementos que possibilitarão, sob sua orientação, uma participação no processo produtivo, que será tanto mais eficaz e duradoura quanto mais eficientes suas ações de planejamento, organização, produção, comercialização, administração financeira, administração do fator humano e outras.

Por: Fauzi Timaco Jorge *

*Economista e professor da UNIP, escreve regularmente nesta coluna. fauzi@balcaoautomotivo.com.br
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